O corpo humano é constituído de células. Milhares de reações químicas ocorrem no interior de cada uma delas. A partir de nutrientes absorvidos no sistema digestivo e do oxigênio captado pelo pulmão, elas realizam montagem e desmontagem de substâncias necessárias para seu funcionamento e seu crescimento. Esse conjunto de atividades é o que denominamos metabolismo, palavra derivada de “metaboli” que em grego significa: mudança e transformação.
Dentro desse processo, substâncias indesejáveis serão formadas e lançadas no sangue, de onde deverão ser retiradas para não ocorrer a intoxicação do organismo. Assim, os gases serão eliminados pelos pulmões, e sólidos e líquidos, pelos rins.
Os rins estão situados na parte posterior do abdome superior, um de cada lado da coluna vertebral, tendo a forma semelhante a um grão de feijão, com aproximadamente dez centímetros de comprimento. No interior de cada um deles existe cerca de um milhão de unidades filtradoras, os néfrons, que realizam a limpeza do sangue.
Esses néfrons desembocam em tubos, denominados ureteres, que terminam na bexiga, um órgão de parede elástica com capacidade de 250 mililitros, que armazena a urina e periodicamente esvazia-se.
Além dessa função depurativa, os rins têm outras, como a de produzir a renina, um hormônio regulador da pressão arterial, e a eritropoetina, outro hormônio essencial à produção de glóbulos vermelhos; e a de promover a regularização do metabolismo ósseo, por ação na vitamina D.
Várias são as causas que podem afetar de maneira irreversível esse órgão, acarretando a perda progressiva de suas funções, fato que denominamos insuficiência renal crônica, uma patologia que mata em torno de 15 mil pessoas ao ano, em nosso país. O tratamento paliativo, na fase final, é feito por diálise, até que o transplante, única solução definitiva, possa acontecer.
Para maiores esclarecimentos, selecionamos uma série de perguntas sobre o assunto e passaremos a respondê-las.
O que é exatamente insuficiência renal crônica?
É uma doença de evolução lenta e progressiva, que se caracteriza pela incapacidade irreversível dos rins de filtrar o sangue e retirar substâncias tóxicas do interior do corpo. Até 50% das funções estarem perdidas, o paciente não apresenta sintomas e nem precisa de tratamento. A partir daí, até restar apenas 10% de sua capacidade, passam a ser necessários um controle de dieta e alguns medicamentos. Depois desse estágio final, só a diálise ajuda, enquanto se aguarda o transplante renal.
Quais as causas da insuficiência renal?
A nefrite, que é uma inflamação dos néfrons ou do tecido que os contém, a pressão alta e o diabetes mellitus respondem por mais de 90% dos casos. As doenças hereditárias e a presença de cálculos em ambos os rins podem também serem causas de insuficiência renal crônica.
Como se reconhece?
Na fase mais característica acontecem o inchaço do corpo, com grande aumento de peso; a anemia que não responde aos tratamentos habituais; o clareamento da pele por falta de glóbulos vermelhos; a piora da pressão, com aumentos incontroláveis de seus níveis; o aumento do volume da urina, que se torna muito clara; o aumento da freqüência de micções, principalmente a noite; a perda de apetite; a fraqueza; e o cansaço fácil.
Como se previne?
Na presença de infecções urinárias deve-se efetuar prontamente o tratamento. Quando a infecção for crônica, deve-se tentar bloqueá-la. O controle da hipertensão arterial e do diabetes mellitus é fundamental.
É importante evitar o uso indiscriminado de medicamentos e estimular a ingestão de dietas balanceadas, principalmente em relação ao sal, à água, às proteínas e ao potássio.
Esse conjunto de ações retarda seu aparecimento e suas consequências.
Como se trata?
A evolução da doença está ligada não só aos cuidados preventivos, como também à intensidade e à agressividade da doença causadora, que deve ser combatida adequadamente.
O uso de antihipertensivos, de diuréticos, de repositores de íons, como é o caso do fósforo, é fundamental para tratamento. No caso extremo, em que 90% da função foi atingida, restam apenas a diálise e o transplante.
O que é diálise?
É um procedimento, geralmente feito em clínicas especializadas, que tem por objetivo, de forma artificial, executar a função anteriormente exercidas pelos rins, que é depurar o sangue de substâncias tóxicas. Pode ser feita de duas maneiras: pelo peritônio, na região do abdome; e pelo rim artificial, diretamente no sangue, a chamada de hemodiálise.
O que é a diálise peritoneal?
Pode ser feita em casa ou em regime de internação. Esta última, no Brasil, é disparadamente a mais freqüente. Através de um catéter, colocado próximo ao umbigo, é introduzido, por gravidade, um líquido com concentrações de eletrólitos programadas. Por osmose e difusão, que são processos de troca de substâncias através de membranas permeáveis ou semipermeáveis, como é o caso do peritônio, serão depuradas as toxinas do organismo. Após um determinado tempo, o líquido infundido, acrescido das toxinas, é retirado.
O inconveniente desse procedimento é que a repetição aumenta, muito a chance de infecção, causando peritonite.
E a hemodiálise?
É um procedimento que faz com que o sangue do paciente percorra um trajeto extracorpóreo no interior de uma máquina: o rim artificial. A máquina é dotada de membranas filtradoras, onde as substâncias tóxicas são retiradas.
As desvantagens desse procedimento é que, além de ser realizado apenas em unidades especializadas nem sempre disponíveis em locais próximos à residência do paciente, que se transforma em freqüentador por 3 a 4 horas diárias, 3 vezes por semana, impedindo-o de trabalhar, necessita de dupla punção no sistema vascular.
E o transplante?
É a substituição dos rins doentes por um rim saudável de doador. Se o paciente apresentar boas condições clínicas e não tiver outras patologias, como cirrose, câncer, infecções de focos em atividade ou outras causas de imunossupressão, ele poderá ser submetido à cirurgia. Esse rim pode ter origem em um doador vivo, geralmente de pessoa da mesma família, ou em um indivíduo com morte cerebral.
Fonte: Jornal Demicrata
