Prevenção para diminuir casos relacionados a doenças renais. Esse é o objetivo de um projeto desenvolvido pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), que visa construir uma rede de medicina preventiva nesta área. É o que explica o nefrologista José Euber Pereira Soares, diretor de Assuntos Políticos do órgão e que na semana passada apresentou juntamente como o senador Garibaldi Alves (PMDB) o projeto junto ao Ministério da Saúde.
Segundo o doutor Euber, o objetivo da rede é diminuir os números de pacientes que fazem hemodiálise. “Hoje temos 100 mil pacientes em todo o país que fazem hemodiálise, além de mais 35 mil que começam a fazer anualmente. Hoje, 5% da população brasileira tem alguma doença renal crônica e não sabe. O nosso foco é atuar na prevenção”, disse.

O projeto consiste em transformar as 750 clínicas de hemodiálise existentes em todo país em centros de nefrologia. “Esses centros atuariam também na atividade ambulatorial preventiva de nefropatias. Não seriam necessários gastos com a construção de prédios e contratação de pessoal, apenas ampliar o suporte às clínicas e profissionais que já atuam na área, com um gasto público menor. É aquela história, com a prevenção você gasta R$ 1, já o tratamento gasto é dez vezes maior”, explicou.
O médico falou que atualmente, as clínicas de hemodiálise já contam com uma equipe multidisciplinar que poderia auxiliar em diagnósticos preventivos. “Esses desafogariam a situação dos grandes hospitais, bem como dos profissionais que atendem em comunidades através do programa ‘Mais Médicos’, por exemplo. É uma coisa nova que assim que começar a atender, vai ter repercussão imediata”, declarou.
Os custos para a criação dessa rede de atendimentos, segundo o nefrologista, viriam do Poder Público. “Esses custos seriam algo em torno de 30% a mais do que se paga por uma seção de hemodiálise (o custo atual é de R$ 180 e passaria a ser de R$ 242), para dar sustentação à rede. Minha clínica hoje tem condições, porém, em algumas regiões do país outras não teriam recursos suficientes na atualidade para fazer o projeto funcionar. É um custo pequeno, uma vez que teríamos uma equipe completa para atuar neste trabalho de prevenção”, explicou José Euber.
Fonte: Tribuna do Norte
