Para conscientizar a população no Dia Nacional de Combate ao Fumo, neste sábado, dia 29 de agosto, reumatologista da ABRASSO responsável pela pesquisa ressalta que o tabagismo ainda é uma das principais causas da doença pulmonar que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), será, provavelmente, a terceira maior causa de morte no mundo já a partir de 2020
Para conscientizar a população no Dia Nacional de Combate ao Fumo, neste sábado, dia 29 de agosto, a reumatologista e membro da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO), Dra Roberta Queiroz Graumam, ressalta que o tabagismo também está entre os principais responsáveis pelos casos da chamada Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), será, provavelmente, a terceira maior causa de morte no mundo já a partir de 2020. “Ao provocar grave inflamação no sistema respiratório, o que obstrui o fluxo de ar nas vias aéreas, a doença limita o paciente em suas atividades cotidianas, por causa da falta de ar, e pode, além de tornar o paciente dependente de suportes de oxigênio, submetê-lo a constantes internações e ocasionar comorbidades como arritmias, insuficiência cardíaca, insuficiência coronariana, AVCs, insuficiência renal crônica, pneumonia, pneumotórax, perda de peso e até casos crônicos de desnutrição”, explica a Dra Roberta.
Contudo, não são apenas esses os males causados pela DPOC. Responsável pelo estudo Prevalência e Fatores de Risco para Osteoporose e Fraturas por Fragilidade em Pacientes com DPOC, ainda em andamento na Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), a reumatologista da ABRASSO revela que a doença está diretamente relacionada com o surgimento de fragilidade óssea, osteopenia e osteoporose. “Os malefícios da DPOC para a saúde óssea ainda são pouco divulgados. Por isso, é muito importante que o problema seja alertado!”, enfatiza a Dra Roberta.
Estudo & Prevalência
Em sua pesquisa, a reumatologista avaliou, até o momento (maio de 2015), 96 exames de densitometria óssea de pacientes com DPOC e verificou que cerca de 80% deles apresentam osteoporose ou osteopenia. “Cerca de 11% dessa população apresenta fraturas por fragilidade óssea na coluna, colo do fêmur ou antebraço”, revela a médica. “Boa parte destes pacientes estavam sem tratamento, mesmo com histórico de fraturas anteriores”, acrescenta.
Como a pesquisa ainda está em andamento, a Dra Roberta pretende aumentar o número de pacientes analisados para consolidar seus resultados e as implicações do estudo. Os resultados serão comparados com dados de indivíduos saudáveis, pareados por gênero e idade. “Com isso, poderemos definir com mais exatidão os fatores preditores de fraturas e de osteoporose nos pacientes com DPOC”, explica a reumatologista. “Para chegarmos a esse resultado, também levaremos em conta os dados obtidos a partir de análises de força muscular e avaliações da composição corporal por DXA”, acrescenta.
DPOC & Osteoporose
Dra Roberta explica que a causa da osteoporose em pacientes com DPOC é multifatorial. Segundo ela, a osteoporose nesse cenário está associada à inflamação sistêmica causada pela DPOC. Outros fatores também provocados pela doença, como desnutrição, redução de mobilidade, sedentarismo, baixo IMC e uso de corticoides também contribuem para o aparecimento da osteoporose nesses pacientes. “É importante conscientizar os médicos de que a Densidade Mineral Óssea (DMO) de todos os pacientes com DPOC também deve ser avaliada, principalmente entre os doentes em estágios mais avançados e com diminuição de massa magra”, recomenda a Dra Roberta. “Esse já seria um importante passo para a prevenção da osteoporose entre os pacientes com DPOC”, avalia.
Prevenção & Tratamento
A reumatologista da ABRASSO acrescenta que outra maneira de prevenir a osteoporose e suas consequentes fraturas em pacientes com DPOC está justamente na atenção com a saúde dos ossos. Segundo ela, é fundamental a realização de análises periódicas do metabolismo mineral, atentando para fatores como ingestão de cálcio, níveis séricos de vitamina D, além de evitar ou minimizar o uso de medicações que possam interferir na qualidade óssea como os glicocorticoides. “Paralelamente, é importante estimular entre essas pessoas a pratica de atividades físicas regulares, respeitando suas limitações – especialmente no caso dos doentes mais graves (Gold 3 ou 4)”, recomenda. “Já o tratamento segue as mesmas orientações de qualquer paciente com osteoporose primária. A única ressalva é que, no caso de pacientes com DPOC, a incidência de doenças cardiovasculares e insuficiência renal crônica costuma ser maior, o que pode interferir na escolha terapêutica”.
Fonte: Maxpress
